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  • Gabriela Paes

As sombras no processo do autoconhecimento

Hoje vi uma publicação no insta (uma das foto desse post) e refleti sobre como é fácil entrar em um padrão de auto crítica quando iniciamos o processo de autoconhecimento. Mas por que? O autoconhecimento não é incrível, incentivado e aclamado por todos? Eu sou apaixonada pelo movimento de me (re)descobrir, isso me ajuda muito na expansão da minha consciência, faz eu reconhecer tantas coisas! Sempre digo, que tudo isso começou quando li Clarice Lispector pela primeira vez no ensino médio. Foi uma viagem interna profunda quando tive contato com a literatura dessa Deusa. Através das palavras a Clarice nos leva a mergulhar internamente, e a forma como ela escreve por si só é uma meditação, é capaz de promover experiências no aqui e no agora de forma brilhante. Minha personalidade é mais introspectiva, mas a Clarice deu uma nova cor ao meu processo de auto observação. As reflexões se tornaram mais profundas e menos meras teorias mentais sobre assuntos do cotidiano (que ainda faço muito rs minha vida acontece mais mentalmente), Clarice escreve sobre fatos rotineiros e provoca grandes movimentos internos. Isso com certeza mudou muito a minha percepção de mundo. Assim como a vida muda após experimentarmos o amor pela primeira vez, também a arte muda o nosso estar no mundo para sempre. Nunca mais somos os mesmos. Passamos a enxergar com outros olhos.


Enfim, todo esse processo sempre foi algo que me instigou, eu amo ir cada vez mais profundo dentro de mim mesma, a procura do "it", do É da coisa, como a Clarice fala. Ainda que eu ame (re)descobrir novas facetas de mim mesma nem sempre é fácil integrar tudo isso com amor e leveza. Além de lidarmos com lados obscuros de nós mesmos, também corremos o risco de sempre entender diante de alguma situação que nós é que deveríamos evoluir. Ou seja, ao nos darmos conta de todos os buracos internos, identificamos quais mudanças são necessárias, quais crenças limitantes, hábitos e padrões comportamentais devem ser curados e isso pode deturpar nosso entendimento diante de uma situação. Rola um processo de achar que só nós somos responsáveis por determinada coisa ter acontecido. Caímos no padrão da auto crítica e deixamos de compreender que o outro faz parte do processo igualmente. Não cabe aqui julgar e apontar dedos, como também o sentimento de culpa não é bem vindo. Pode existir uma auto cobrança excessiva também! Por que nós acabamos criando expectativas a nosso respeito. O primeiro passo é se conscientizar e isso já é um grande passo que temos que nos orgulhar de conseguirmos! Porque enxergar o que ninguém quer ver, enxergar o que causa desconforto, o que causa medo, o que causa vergonha etc é difícil. Colocar em prática é o segundo passo, tentar a mudança para melhor. E às vezes ninguém nos conta que vamos falhar várias vezes! Que vamos duvidar da nossa capacidade de mudar, que vamos lidar com pessoas que nos conheceram do outro jeito e muitas vezes vão nos lembrar dos nossos erros e nos desmotivar... ao mesmo tempo, desenvolver autoconhecimento e não praticar é como se a gente tivesse o mapa do tesouro e não fôssemos buscá-lo. Só quando a gente consegue experienciar nesse mundo manifesto é que tudo muda. O ambiente muda, os nossos relacionamentos mudam, nossas convicções mais profundas podem mudar... e isso é lindo! É lindo permitir ser flexível e não volúvel, como o Mário Cortella nos trouxe a clareza. É preciso saber mudar quando necessário. Não é sobre se descaracterizar, é sobre buscar nossa melhor versão. Em um dos igtv's do instagram eu falei sobre esse processo de mergulhar nas sombras, o quanto é individual e muitas vezes a gente precisa de ajuda para lidar com o conteúdo que vem à tona. Desconstruir sem ter nada para colocar no lugar é perigoso, é preciso firmar nossas raízes sem que isso nos torne pessoas inflexíveis, mas capazes de manter a estabilidade durante momentos de mudança e adaptação. Além de uma auto cobrança, quem inicia sua jornada pelo Universo do autoconhecimento sabe o quanto as pessoas esperam certos comportamentos nossos. Existe todo um inconsciente coletivo bem definido a respeito disso, todo mundo acha que por estarmos nessa jornada deixamos de ser adivinha o que? HUMANOS. Com sentimentos como raiva, medo, insegurança... então também acho fundamental deixar um pouco de lado o ruído externo e concentrar sua energia em dar seu melhor, só nós sabemos no nosso íntimo o quanto tentamos, o quanto nos dedicamos e nos esforçamos. Não é (óbvio) para anular os outros da sua vida, virar um monge e ir para as montanhas rs. Mas saber filtrar, entender de fato o que pode ser integrado, o que pode ser utilizado para nossa melhoria. Sempre lembrando que o parâmetro é você, você sabe dos seus movimentos, o outro tem uma percepção externa e ele nunca vai saber se você não comunicar. Muitas pessoas inconscientemente vestem a máscara do "desconstruído", "elevado", do "pleno", "good vibes only", do "consciência expandida" e é insustentável. Por que vamos falhar, o que é totalmente normal! Mas mais do que isso é seguir tentando e dando nosso melhor. Entendendo que tem uma parcela que é do outro e por mais que a gente pense que devemos expandir mais a consciência, isso não nos diz respeito. Reconhecer nossos limites e até onde podemos ir sem nos auto destruir é também parte desse processo. Não somos seres ilimitados no sentido de que não é saudável nos afastarmos tanto do nosso centro em busca de algo que não está no nosso controle. Identificar o que é nosso e o que é do outro... tanta coisa! Tem dias que eu super confiante nesse processo todo, tem dias que eu só queria ser cega para tudo rs. Mas uma vez iniciada a jornada nossos olhos nunca mais voltam a enxergar da mesma forma o mundo manifesto e nós mesmos. Como a gente costuma falar no climb "toca para cima", é o único caminho disponível depois de iniciada a caminhada rumo ao cume da expansão mental.


Para não esquecer e te ajudar no seu processo único de autoconhecimento, vi no instagram e achei uma boa reflexão para fazermos quando identificamos um padrão de auto crítica:


Espero que essa jornada de autoconhecimento seja leve tanto quanto for possível, que a gente não esqueça de admirar tudo de mais lindo que existe em nós sem permitir que a descoberta das nossas sombras nos derrube. Que a gente use justamente as sombras como uma motivação na caminhada em busca da nossa melhor versão. E que a gente não negue o que é também nosso, ainda que seja difícil lidar com o que vier à tona. Isso faz parte de nós e devemos honrar da mesma forma. E deixo aqui uma citação do livro Mulheres que Correm com os Lobos:

"Uma das questões menos discutidas a respeito do processo de individuação é a de que, à medida que se lança luz sobre as trevas da psique com a maior intensidade possível, a sombra, onde a luz não alcança, fica ainda mais escura. Portanto, quando iluminamos alguma parte da psique, disso resulta uma escuridão mais profunda com a qual temos de lutar. Não se pode deixar de lado essa escuridão. A chave, ou as perguntas, não pode ser ocultada nem esquecida. As perguntas precisam ser feitas. Elas precisam obter resposta"

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