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  • Gabriela Paes

Mudança de carreira: Engenharia para Educação física

Após voltar do meu intercâmbio de 6 meses (Estados Unidos e Peru) e formada para dar aulas de yoga, comecei a repensar se deveria continuar no curso de engenharia. Eu já sabia exatamente o que eu queria: atuar como professora de yoga, profissionalmente e conseguir manifestar muitas coisas por meio desse trabalho. Mas quando retornei, ainda insisti em voltar para a antiga faculdade, afinal a ideia estava apenas na minha cabeça e eu não tinha feito nenhum movimento até então para que a mudança acontecesse. Primeiro que conceber a ideia de troca de curso, mesmo sabendo que não queria mais atuar como engenheira, foi super difícil! Principalmente o medo das pessoas não entenderem e julgarem! Quando voltei tinha perdido todas as datas de vestibulares públicos e não sabia que não teria condições de bancar uma faculdade privada. Então me acomodei, fui levando... ia de São Paulo para Santo André todo dia, 2 horas de trajeto infeliz, sem motivação nenhuma para estudar e pensando "não vou usar isso na profissão que eu já escolhi". No Peru, meu professor de formação leu minha carta astrológica védica e me falou que estava vivenciando um momento de escolha profissional. Ou seja, não 4 anos atrás. Refleti muito sobre isso, sobre a sociedade cobrar escolhas de todos no mesmo momento da vida sendo que cada um tem uma jornada única e talvez não seja o momento para isso de fato. E quantas pessoas se formam em cursos que não as tornam satisfeitas e realizada só por pressão e por medo do que vão achar. Além da carta védica, começar a terapia me deu muita força para realmente efetivar essa mudança. Minha psicóloga sempre me incentivava a procurar opções e não só olhar para os obstáculos (datas de vestibulares público já tinham acontecido e não daria para pagar uma faculdade privada). Foi aí que comecei a buscar alternativas. Entrei no site da FMU, vi que eu poderia usar minha nota do enem para conseguir uma bolsa. Porém com a nota do enem só tinha conseguido 100% no primeiro semestre e alguma coisa nos outros. Pelo menos já comecei a pensar que era possível fazer essa mudança... Fui até a faculdade para me informar sobre outros tipos de bolsa e vi que poderia fazer um vestibular da própria faculdade. Não pensei duas vezes e me inscrevi. Faziam anos que eu não prestava um vestibular e pensamentos do tipo "que retrocesso" podem acontecer! Mas eu te digo que ninguém vai viver a sua vida por você! E se você está infeliz há sempre um jeito de mudar essa situação. O que a gente precisa é de força. Fiquei sabendo na porta da prova que teria redação e pensei: esse é meu ponto forte!! Fiquei feliz com a notícia e fui fazer a prova confiante. Quando o resultado saiu, bate um medo de não ter o nome na lista das 50 bolsas de 100%, porque eu sabia que teria que fazer um semestre e talvez prestar vestibulares públicos só no final do outro ano. Mas meu nome estava lá!! Na hora pensei: quando tem que ser é. A gente fica cheio de medo, mas eu sabia que fazer Educação física seria muito mais enriquecedor para meu trabalho como professora de yoga e me abriria portas que a engenharia talvez não faria. A parte mais difícil foram algumas pessoas compararem a qualidade da faculdade que eu fazia e que era pública com a nova que é privada, como se eu tivesse descido um degrau. Mas para mim, foi caminhar em direção ao meu propósito e um alívio gigante não ter que ir estudar algo que não via mais sentido em um lugar tão longe da minha casa, perdendo tempo vida fazendo o que não me fazia mais feliz. Também há uma ideia de fracasso que paira pelo ar em momentos como esses. Gosto de lembrar da frase da maravilhosa Clarices Lispector: "Que o fracasso me aniquile, eu quero a glória de cair!". Eu de forma alguma entendo que fracassei. Foi na UFABC que tive a oportunidade de conhecer o yoga, de conhecer o jiu jitsu, de competir no jiu jitsu e me aproximar mais dos esportes. Depois que entrei lá, também comecei a escalar, a praticar exercícios físicos e eu realmente amo. Outra coisa que ouvi foi "você jogou um ano de cursinho no lixo, pra passar nessa faculdade nem precisaria" e eu digo que esse pensamento é totalmente equivocado. Foi no cursinho que eu aprendi a escrever redações e eu tenho certeza que só por isso eu consegui 100%. O que eu quero dizer é que nada na vida é sobre perder ou ganhar, sobre fracassar ou ser bem sucedido... tudo na vida são experiências necessárias e nada é em vão. Toda a minha trajetória contribuiu tanto para eu conhecer o yoga e depois me formar professora, como para também eu conseguir essa bolsa. Hoje estou muito mais feliz estudando Educação física, além de agregar muito ao meu trabalho como professora de yoga, eu amo musculação, amo estudar o corpo em movimento e como isso afeta todas as nossas células. Acho incrível esse corpo! Somos potência pura. E o meu trabalho reflete o que eu busco para minha vida: a minha melhor versão. Eu amo viver transformações (meu Sol é escorpião) e amo ajudar as pessoas nesses processos, empoderá-las e vê-las caminhando com as próprias pernas, sendo capazes de se reinventarem, de renascerem e viverem uma vida com mais clareza e paz. Sou muito feliz contribuindo de forma positiva nesses processos.

E se você tem receio de mudar o seu curso, eu te digo que foi a melhor coisa que eu fiz. Claro que é importante ver todas as possibilidades, investigar esse desejo de mudança e se for isso mesmo buscar alternativas além dos obstáculos! Sua vida é preciosa e sagrada! Não tem porque escolher ser infeliz. "Que todos os seres sejam livre e felizes!"



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