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Livro: Cem Anos de Solidão

18.12.2017

 

O segundo livro que foi lido pelos participantes do clube de livro da UFABC foi Cem Anos de Solidão do Gabriel García Márquez. Eu já havia lido O Amor nos Tempos do Cólera do mesmo autor e me encantado com a forma que ele escreve! A arte, seja qual for, sempre teve a capacidade de me sensibilizar de alguma forma e admiro muito autores como o Gabo pelo jeito que escrevem, pela autenticidade, originalidade e talento. O contato com livros como esse é incrível, eu leio e fico me perguntando "como é possível alguém escrever assim?". Esse "espanto" com a novidade do qual Mario Sergio Cortella se refere no livro Não Nascemos Prontos!, é essencial para mim. Livros como esse despertam minha admiração, sensibilidade, e me impactam de alguma forma. 

A história de cem anos da família que fundou Macondo é contada no livro de uma forma muito peculiar pelo autor, como se o tempo fosse arrastado, demorasse para passar, todavia, muitas coisas acontecem, casamentos, mortes, nascimentos, chuvas, insônias... O autor consegue de alguma forma deixar a marca do tempo na sua escrita, como se fosse quase um personagem, sempre presente. Lembrei do Mia Couto quando estava lendo uma vez que o "realismo mágico" também aparece nesse livro. Acho bem interessante brincar de certa forma com o conceito de realidade que temos em mente e conseguir encaixar isso de forma natural como se de fato existisse (e quem disse que não existe?). Acabou de passar pela minha cabeça o desenho Rick and Morty, já assistiram? Quantas realidades diferentes existem ali né? Mas Gabo dizia que "É só realismo. A realidade que é mágica. Não invento nada. Não há uma linha nos meus livros que não seja realidade. Não tenho imaginação". Outro ponto que me chamou atenção é a criatividade do autor! Que história rica e cativante! Mais uma vez, como em outros livros, me vi mergulhada na história, imaginando o que aconteceria?, o que é Macondo afinal?, por que acabou como acabou?, qual a mensagem que o autor quis transmitir com a história desse lugar e dessas pessoas?. Além disso, a solidão esta presente no livro todo e cada personagem tem contato com ela de diferentes jeitos. Desde que comecei a ler Clarice Lispector passei a pensar mais sobre solidão, sobre como às vezes ela se impõe a nós, é necessária e vital. Deixei de enxergar solidão como algo negativo e tento sempre aproveitar momentos de solidão para desenvolver um relacionamento saudável comigo mesma, autoconhecimento, autorrespeito, autoestima, tudo isso é bem importante para mim, e sempre estou buscando. Acredito também, que o artista precisa de momentos de solidão para criar, para se expressar no mundo à sua maneira. E como Clarice é minha autora preferida, deixo essa citação para inspirar:

 

"...Que minha solidão me sirva de companhia.
que eu tenha a coragem de me enfrentar.
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo"

 

 

Eu já não sou muito boa em guardar nomes, quando me deparei com todos esses nomes iguais, foi uma confusão só! Essa árvore genealógica ajuda muito!!! Na próxima leitura (o livro é jeito de detalhes, reler é sempre uma chance de perceber algo que possa ter passado despercebido) não vou desgrudar dela :)  Algumas frases que gostei e quero compartilhar com vocês:

 

"A sua solidão havia selecionado as lembranças e incinerado as entorpecentes montanhas de lixo nostálgico que a vida acumulara no seu coração e havia purificado, magnificado e eternizado as outras, as mais amargas"

 

"O mundo se reduziu à superfície de sua pele e o interior ficou a salvo de toda a amargura"

 

""O mundo terá acabado de se foder", disse então, "no dia em que os homens viajarem de primeira classe e a literatura no vagão de carga""

 

"Boa velhice não é outra coisa senão um pacto honrado com a solidão"

 

"Tivera que promover 32 guerras, e tivera que violar todos os seus pactos com a morte e fuçar como um porco na estrumeira da glória, para descobrir com quase quarenta anos de atraso os privilégios da simplicidade"

 

"Tinha a rara virtude de não existir por completo, a não ser no momento oportuno"

 

Será que Macondo seria um utopia do autor? "O não lugar"? Um desejo de recomeçar tudo de novo? Dar nome a cada coisa desde o início? O que acham? Beijos!!!!!! 

 

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