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Sobre mudanças

01.11.2018

Já escrevi um pouco sobre isso aqui, mas escrever para mim é uma fonte de paz, às vezes eu preciso disso e é esse o caso agora. A consciência do que é autoconhecimento veio até mim quando comecei a ler Clarice Lispector e a partir daí eu comecei a olhar de uma forma diferente para as situações. Comecei a perceber que todos os caminhos me levam até esse ponto que é talvez a coisa mais importante da minha vida. Desde coisas bem simples, comecei a enxergar meu comportamento na direção de um mergulho interno e profundo. Eu já fui muito religiosa, minha família é católica, e o que mais me fascinava nas experiencias religiosas era a conexão comigo, com Deus, com a vida. Esse sentimento bom que é ter fé e confiar. O sentimento de gratidão. Só não acredito em nada que separe os homens ou os prive de serem felizes. Enfim, todo esse Universo sempre foi muito mais interessante para mim do que o mundo externo. Durante um período da minha vida eu me afastei disso e esqueci o sentimento bom que todas essas conexões me trazem. Mas não era eu, não me sentia confortável com o papel que estava desempenhando nessa vida, não tinha autoconfiança suficiente para ser quem eu sou. E essa autoconfiança ninguém dá, ninguém vende, a gente conquista e dá trabalho se manter assim. Quando a gente caminha para a vida adulta acreditamos em muitas mentiras que nos contam sobre felicidade, sobre nos sentirmos realizados e genuinamente satisfeitos. Não quero dizer com isso que o que me faz feliz é o que faz todos felizes, apesar de acreditar que existem coisas essenciais que nos unem como seres humanos e que todos no fundo desejamos e precisamos para nos sentirmos completos. Mas cada um tem seu próprio caminho para chegar lá, não existe receita, não existe fórmula. E eu me vi acreditando que seria feliz se eu tivesse x, se eu conquistasse y. Só que não é assim que funciona. Pelo menos não foi para mim. Quando eu passei em uma Universidade Pública e, portanto, conquistei o primeiro passo para o sucesso, mas percebi que não era só isso que eu precisava. Que a Gabi que eu vinha sendo não era eu, que eu não tinha autoestima para ser quem eu gosto de ser, que eu me escondia principalmente de mim. E como eu já disse foi aí que entrou a meditação, o yoga, a terapia na minha vida. Foram esses instrumentos que eu utilizei para conseguir desenvolver autoconhecimento e me reconectar com o que eu sou e gosto de ser. Cada um em algum momento da vida se depara com essas questões e encontra o seu caminho, a sua forma de alcançar a paz que é se sentir bem com você mesmo e livre pra ser quem você é. Gosto sempre de ponderar que ser livre pra ser quem você é não inclui afetar qualquer pessoa negativamente, não é uma carta branca para comportamentos destrutivos ou coisas do tipo. E não significa ser intransigente, ou seja, "sou assim e que se dane", não vou mudar de forma alguma, as pessoas que me aguentem, as pessoas que me aceitem como eu sou mesmo que isso afete negativamente a vida coletiva. Só para não deixar margem para possíveis interpretações erradas! O ponto que eu estou querendo chegar é o oposto de ser intransigente é sobre estar disposto a mudar e não enxergar isso como um fracasso, como um erro! Ninguém precisa ser a vida inteira do mesmo jeito e ninguém é, só que algumas pessoas são tão orgulhosas que preferem não assumir essa realidade. O mais difícil da mudança é lidar com as pessoas que te conhecerem do outro jeito, a outra Gabi. Porque muitas delas não reconhecem o esforço que demanda sustentar uma mudança ainda que seja isso que me faça bem, é difícil sustentar ser quem eu sou pra quem me conheceu usando uma máscara, acreditando nas mentiras que me contaram nesse caminho pra vida adulta. Outra interpretação errada que cabe aqui é pensarem que eu simplesmente desconsidero a importância de estudar, de crescer intelectualmente. Não mesmo!!! O preço da ignorância é muito mais alto! Uma coisa não exclui a outro. O autoconhecimento não te impede de forma alguma de estudar sobre outros conhecimentos. A minha única crítica é endeusar um tipo de conhecimento, acreditar que só assim se alcança felicidade, ou que um exclui necessariamente o outro. Tudo que agrega coisas positivas a minha vida, tudo que me faz crescer é bem vindo, mesmo que isso me vire de cabeça para baixo e possa me fazer sofrer. Talvez seja mais fácil mesmo acreditar que o conhecimento intelectual é o mais importante e que só ele merece atenção porque o autoconhecimento é doloroso, quem se dispõe a ir à terapia se dispõe a tocar em feridas, sentimentos ruins, traumas e nem todo mundo está pronto para isso. E tudo bem! Cada um no seu tempo, do seu jeito, em algum momento da vida vai se deparar com essa necessidade que para mim é humana, é o que nos uni. Enfim, mudar é trabalhoso, demanda esforço, paciência e muita perseverança quando lidamos com pessoas que não acreditam na nossa capacidade de mudar e ao invés de reconhecer nosso esforço, só atrapalham o processo apontando o dedo, julgando e criticando. Tudo bem errar, cair, faz parte do processo! É muito importante nessa caminhada se auto perdoar, aceitar os próprios erros, enxergá-los como oportunidades de aprendizado. Ficar se culpando não te leva a lugar nenhum! Nenhuma mudança é do dia para noite. Decidir que quer mudar é o primeiro passo, mas sustentar a mudança é o mais difícil. Não sei se vocês já perceberam o quanto a gente se reprime ou simplesmente não consegue, mesmo se esforçando, nos expressar de forma autêntica, do jeito que a gente é de fato, do jeito que a gente gosta de ser. Muitas pessoas enxergam isso da seguinte forma "você consegue ser com os outros a melhor pessoa do mundo, mas comigo não", existe algum espaço para isso? A mesma pessoa que cobra não percebe o quanto relações desgastadas e tóxicas não deixam brecha para a expressão de coisas boas. Onde o que prevalece é a falta de respeito, orgulho, vingança, crítica e julgamento, como é que se encontra espaço para a expressão de coisas boas? É trabalhoso. Por isso a gente faz yoga, não é só sobre criar espaços no corpo, mas na mente! Nesses ambientes a gente precisa ser como uma flor de lótus, que mesmo diante de um lugar escuro e lamacento, supera tudo isso e percorre o caminho até a luz, até nascer uma flor linda. Essa reflexão foi sobre acreditar as mudanças, mas mais que isso aceitar a mudança do outro, confiar na capacidade dele de mudar e superar as armadilhas do ego. Se a gente não acreditar na mudança, a gente não acredita na educação, no amor, na fé, no autoconhecimento. Não precisa acreditar em todos esses instrumentos de mudança, afinal cada um encontra o seu caminho, mas não desmereça ou desmotive quem se esforça para mudar e ser melhor. Sair da nossa zona de conforto não é fácil. E é sempre bom lembrar que quando a gente critica alguém a gente diz mais sobre nós do que sobre a pessoa criticada! O mundo precisa de mais pessoas que confiem verdadeiramente na mudança positiva das pessoas. Só assim a gente pode transformar algo destrutivo em construtivo. Começa com o indivíduo a mudança que a gente quer para o mundo.

 

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