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Como viemos para os EUA?

16.12.2018

Oi gente! Eu me comprometi a fazer esse post desde que começamos a pensar em viajar uma vez que se eu não tivesse conhecido meu namorado (thanks God) eu simplesmente não saberia da existência desse programa de intercâmbio. Então por isso quero compartilhar a maior quantidade de informações aqui e caso tenham alguma dúvida podem me perguntar. Bom, o programa de intercâmbio se chama Summer Work Travel Program criado pelo governo americano e intermediado no Brasil por agências de intercâmbio e busca recrutar mão de obra para trabalho em restaurantes, hotéis, parques temáticos, estações de esqui etc. Para participar precisa: ter entre 18 a 29 anos; ser estudante universitário e ter nível intermediário de inglês (o que não é o meu caso). O programa dura 4 meses, o visto no passaporte vem com a duração de 3 meses, mas temos o Grace Period que são férias de 1 mês dentro dos EUA. Fechamos com a agência Intercultural porque algumas coisas burocráticas não conseguiríamos fazer sozinhos, porém tudo que o Yudi pôde fazer e correr atrás sozinho ele fez para que assim economizássemos mais. Se vocês procurarem a página da agência na internet irão ver que existem alguns caminhos para chegar até aqui. Nós optamos por buscar por emprego, ou seja, o Yudi enviou emails para vários resorts com montanhas que ele gostaria de conhecer dizendo que estávamos disponíveis para trabalhar nas nossas férias de verão. Essa opção é a mais barata, porém arriscada pois a gente poderia não ter obtido respostas. Então o que eu indico é começar a mandar esses emails no primeiro semestre, não deixe para a última hora como nós! Enfim, como tudo conspirou ao nosso favor, deu certo e viemos para um lugar lindo, cheio de montanhas e uma natureza de tirar o fôlego. Do jeitinho que a gente sonhou. Obtemos resposta do RH e marcamos uma entrevista via skype. Desde que a gente começou a planejar vir para os EUA, eu comecei a fazer aulas de inglês online no site EF English Live também a opção mais barata que eu encontrei R$150 por mês. Além disso, tirei meu passaporte esse ano, nunca tinha viajado de avião antes, então tive que correr atrás de muita coisa. Ainda que eu estivesse estudando, fiquei super nervosa na entrevista e o Yudi que falou basicamente por mim. Cuidem com isso também!! Não adianta ficar estudando gramática e não sair da zona de conforto e se arriscar a falar. Nesse site que eu estudo inglês tem aulas diárias em grupo e também aulas particulares com professores. São essas as melhores formas de estudar para um entrevista como essa. Falando!! Caso você opte por outro programa no qual a agência busca o empregador para você, se prepare que a própria agência irá fazer testes de inglês com você. Eu fiz um por telefone, e nesse mandei um pouco melhor porque comecei a estudar melhor e também já tinha feito a entrevista no skype, então estava mais tranquila. Esse pré-requisito de "inglês intermediário" é importante principalmente quando se vem sozinho! Não é como vir à turismo, tem muita papelada para assinar, tivemos que abrir conta em um banco para receber, passar no RH e mais algumas coisas mais burocráticas que se eu estivesse sozinha ir ser muito mais difícil por ter um nível de inglês básico. Mas se você tem um amigo(a)/namorado(a) que sabe bem inglês, estude para saber o básico e ir bem na entrevista. Por exemplo, para a entrevista pelo skype tem várias dicas no youtube sobre perguntas comuns como 'Quais são suas qualidades e defeitos?' ou 'O que você faz nas suas horas livres?' ou 'Onde você se vê daqui 5 anos?'.São coisas simples que o empregador vai perguntar para saber mais sobre você. Mas, mais uma vez, não adianta saber escrever isso ou saber gramática. Tem que falar! Comecei a fazer as aulas em grupo todos os dais e fiz várias aulas particulares sobre Job Interview ou Travel, coisas relacionadas com a viagem. 

Passado esse momento tenso que é procurar por um emprego e passar na entrevista, tudo fica maravilhoso (ou quase rs) quando temos a Job Offer em mãos. É a Job Offer que deve ser enviada para agência para que com ela eles corram atrás dos documentos necessários para tirarmos um visto, o documento mais importante é o DS2019. Disse que tudo fica (quase) maravilhoso, porque o meu DS simplesmente teve que ser enviado 3 vezes ao Brasil para que chegasse. Por isso fui ao consulado americano sem esse documento e sem ele o visto não sai. Foi uma saga! Mas enxergo tudo como aprendizado. Depois do terceiro DS chegar ao Brasil eu retornei no consulado terça-feira, dia 4 e busquei meu passaporte com o visto dia 6, na quinta-feira para viajar na sexta. SIM! Super em cima da hora. Mas esse visto que é o J1 costuma sair rápido. Outra coisa importante é que no consulado quando o oficial vê que você quer entrar nos EUA com o visto J1 ele começa a falar em inglês na hora. Então é outra diferença entre o J1 e o visto de turista no qual a entrevista é feita em português. Esse visto é para estudante. Tanto quem vem para os EUA estudar quanto quem estuda no Brasil e vem trabalhar nas férias de verão. Então o oficial pergunta onde você estuda e o que, pergunta quem vai bancar a viagem, pergunta há quanto tempo você estuda, qual o emprego dos seus pais e coisas assim. Além da Job Offer, a agência pede vários documentos para comprovar que estamos matriculados e coisas do tipo. Nós vamos ficar aqui até março e minhas aulas na faculdade começam antes disso. Eu conversei com os responsáveis por assinar esses documentos e expliquei a situação, disse que iria trancar o primeiro quadrimestre letivo do ano que vem e que seria muito mais enriquecedor poder permanecer por mais tempo por aqui, até para o mercado de trabalho. Isso me deu um pouco de dor de cabeça, porque inicialmente eu consegui que a data das minhas férias viessem com uma janela maior (já que tranquei o primeiro quadrimestre do ano que vem e só vou voltar depois), mas depois a moça disse que teria que alterar e comunicar a agência. O que eu quero que vocês entendam é que você precisa estar matriculado para vir trabalhar aqui com esse visto, mas nada te impede de trancar depois para poder permanecer aqui por mais tempo até o fim da temporada. A própria agência falou dessa possibilidade e quem não vai querer? Ficar mais tempo aqui, aprender mais inglês e ganhar mais dinheiro? Mas essa parte burocrática é estressante, as pessoas não entendem que às vezes a única forma de fazer um intercâmbio é trabalhando para pagar depois, então o quanto mais se trabalha melhor. Tentem conversar nas faculdades de vocês e com jeito vocês conseguem ficar mais tempo! Nem que seja para perder as primeiras semanas de aula. Outro problema que tive com isso foi um professor que simplesmente não quis adiantar uma prova porque eu ia viajar antes. Eu realmente fiquei chateada porque eu havia ido bem na primeira prova, me dediquei e ele não me ajudou ainda que o coordenador do curso tenha permitido o adiantamento da prova. Mas acho que esse tipo de problema vocês não vão ter, minha faculdade que é cheia de professores assim, infelizmente. Então se programem, avisem antes os professores, corram atrás da documentação que a agência pedir e mais do que isso fiquem em cima da agência perguntando sempre sobre como andam as coisas. Meu DS 2019 ter demorado para chegar pode ter sido uma postergação por parte da agência, então fiquem de olho!!

A parte que todo mundo quer saber: quanto é preciso ter de dinheiro?

- R$ 4000 para agência (opção mais barata - independent)

- R$ 1800 de passagem de ida (madrinha do Yudi conseguiu mais barato porque ela trabalha na American Airlines)

- R$ 640 do visto

- R$ 275 passaporte (só eu precisei tirar porque o Yudi já tinha)

- R$ 140 taxa SEVIS (uma taxa que precisamos pagar depois do 11 de setembro porque foi constatado que a maioria dos terroristas entraram nos EUA com o visto J1, então é uma taxa para nos rastrearem enquanto estivermos aqui)

- R$ 6000 em cash para trazer (precisamos pagar o primeiro mês de aluguel e comprar comida)

Com R$ 15000 da para viajar tranquilo, lembrando que esse investimento se paga com o trabalho aqui, senão todo mais da metade. O Yudi trabalhou no Brasil para juntar uma grana também. Além disso, viemos para um destino caro, mesmo que a gente more em um apartamento para funcionários tivemos que pagar $1031 dólares cada um só no primeiro mês de aluguel. Ao final vão devolver a maior parte, é só pra garantir que não vamos "estragar" o apartamento. Sendo assim são mais de R$ 4000 só para morar o primeiro mês sendo que a gente ainda não recebeu. Então a grana que tivemos que trazer para nos bancarmos aqui nos primeiros dias é o que mais pesou. Ainda assim, esse é o intercâmbio mais em conta que existe e você tem garantia do retorno do investimento. Além disso, estamos trabalhando em restaurantes justamente pra poder economizar na comida (que também é cara por aqui) e poder juntar a maior quantidade de dinheiro que conseguirmos. É a segunda vez que o Yudi faz esse intercâmbio e da primeira vez sobrou até dinheiro para dar um role no Peru. Existem muitos lugares que precisam de mão de obra nessa época do ano aqui e em outros países, então se pesquisarem vão encontrar vários resorts. E para mim que nunca nem tinha viajado de avião, nem visto neve, nem nada do tipo é incrível estar aqui e poder viver isso. Mutias pessoas fogem do inverno mas nessa época precisam de muita gente para trabalhar aqui. Tem muito peruano e argentino aqui, ouço várias pessoas falando espanhol.

Assim como escalada ou qualquer outra atividade que eu topo fazer com o Yudi eu nem penso muito antes de aceitar, eu topo quase tudo mesmo, porque esse amor nos move, essa vontade de ficar junto e estar disposto a enfrentar algumas coisas juntos me faz confiar muito que vai sempre dar certo. E eu no fundo tenho certeza, porque eu acredito que o amor é força mais poderosa do Universo. Mas em alguns momentos me peguei pensando "será que eu realmente sou capaz?". Enquanto o Yudi é destemido, eu sou medrosa. E o medo muitas vezes já me impediu de tentar tantas coisas! Tanta vida perdida. Não tô falando de falta de responsabilidade, sou responsável até demais. Só acho que temos que saber lidar com o medo, superá-lo e saber avaliar os riscos de forma consciente. A vida é toda sobre isso. Ter meu amor do meu lado realmente me deu forças e como escalada é ótimo saber que eu sou capaz. Às vezes falta autoconfiança, autoestima e a gente simplesmente acha que não vai dar conta. Eu só digo isso: se eu consegui, você também pode! Comecei a estudar inglês para valer esse ano, em meio a provas e trabalhos de faculdade, não tinha nem passaporte, nem visto, nada! E consegui. Eu sei que o investimento é alto ainda que o retorno venha, mas se planejem que dá certo! Tive a sorte de ter pais que me apoiaram nesse sonho e tiveram condições de investir nisso, mas não é uma grana que veio do nada, principalmente meu pai soube poupar quando pôde para conseguir juntar uma grana. Então sou muito, muito grata mesmo! Além disso, a madrinha do Yudi foi um anjo conseguindo passagens mais baratas (e só compramos de ida, porque estamos pensando em sair por terra daqui, dar um role durante nosso Grace Period). A parte da agência e passagem (se não for promocional como nosso caso) dá para parcelar, a grana que precisa trazer é pra pagar o aluguel nos primeiros dias e comida. Dependendo do destino, se não for caro, $1500 dólares em cash podem ser suficientes, gente é muito barato para um intercâmbio! Para vir à turismo pra cá é muito mais caro. Tem hotel aqui que a diária é $300 dólares por pessoa. Enquanto estiverem na faculdade e tiverem entre 18 a 29 anos pensem nessa possibilidade! Nada nos tira as experiências que temos, as viagens que fazemos e sobretudo o que aprendemos. Isso é tão valioso! E nosso!

É isso! Não sei se esqueci de algo, mas realmente é muita informação. Caso queiram, vocês podem entrar em contato com as agências que fazem esse tipo de intercâmbio para se informarem melhor. Além disso, há possibilidade de vir ser Babá nos EUA, é um emprego que paga bem para nossos parâmetros brasileiros e você não gasta quase nada porque tem casa e comida. Se algum tempo atrás alguém me dissesse que eu estaria onde estou, eu não acreditaria. Quando o Yudi sugeriu a ideia pensei "será mesmo que vamos?" mas eu passei a pedir muito para que isso se tornasse realidade, sem criar expectativas, apenas entregando ao Universo, confiando que se fosse pra acontecer, aconteceria. E mais, movimentando energia em prol desse objetivo. Comecei tirando o passaporte, porque nem isso eu tinha. Mesmo sem saber se iria dar certo. Se você quer isso também, comece com os primeiros passos. Antes eu sonhava em sair do país, nem que fosse ganhando alguma promoção, sei lá. Mas como se nem passaporte eu tinha? Não dá pra esperar que as coisas aconteçam sem começar a correr atrás. Parece bobo, mas acredito que a energia que a gente deposita naquilo que desejamos contribui para que consigamos. É realmente a realização de um sonho. E às vezes a gente fica idealizando vir para cá só à turismo, mas essa opção é muito mais cara. Se esse é o único jeito que dá para fazer um intercâmbio, então que seja! É uma experiência enriquecedora. Eu estou muito feliz por essa oportunidade.

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