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Como foi trabalhar em um restaurante no Colorado, EUA

16.03.2019

Os dias aqui em Telluride estão acabando, passou tão rápido!! Pensei que iria conseguir postar mais coisas, mas o dia a dia é corrido e nos dias de folga a gente tenta aproveitar ao máximo. Para quem não sabe, eu e o Yudi viemos morar aqui por 4 meses através de um programa de intercâmbio. Nós dois trabalhamos em restaurantes, eu lavo louça e ele cozinha. Eu moro literalmente em cima do restaurante que trabalho então chego lá em 1 minuto. Isso é um sonho para quem nasceu e cresceu em São Paulo e sabe como é insano o trânsito e o quanto as pessoas demoram para chegar no trabalho. Esse é um ponto super positivo. Entro às 9h na maior parte dos dias e alguns dias entro 11h, aproveito para fazer snowboard ou yoga ou dormir mais mesmo. O restaurante fecha às 16h, mas nos dias cheios acabo saindo mais tarde. Essa é a minha primeira experiência de trabalho full time mesmo e por ser um trabalho que demanda muito do físico é bem cansativo. No Brasil, eu realmente me candidatei para a vaga de dishwasher, mas quando cheguei aqui estava no cronograma como uma espécie de "faz tudo", limpar mesas, recolher louça suja, varrer o chão. Porém o moço que estava lavando louça teve que sair do trabalho e eu assumi o cargo. Trabalhar em restaurante é uma correria só! Nunca pensei que fosse assim. Nos dias com muito movimento é super corrido e precisamos fazer as coisas rápido e bem feitas. É um desafio conseguir desenvolver essa eficiência porque muitas vezes o que ocorre é que quanto mais rápido precisamos fazer algo, mais mal feito fazemos hahaha. Existe tanto a parte de lavar louça na mão quanto uma máquina que faz isso, nos dias tranquilos só usamos a máquina praticamente, porém nos dias cheios precisamos lavar as louças da cozinha rápido na mão para que possam reutilizar e preparar mais comida. Alguns dias é bem estressante pois o restaurante lota e a gente não para um minuto. Nós optamos por trabalhar em restaurante para economizar na comida uma vez que é caro aqui e gostaríamos de gastar com outras coisas. Além disso é quente! Quem trabalha nos lifts enfrenta o frio todos os dias. Eu descobri o quanto sou sensível ao frio aqui! É totalmente possível passar calor lá fora desde que a gente esteja praticando alguma atividade física, porém em outras situações o frio dói. Minhas mãos e meus pés são sempre gelados e é realmente dolorido sair principalmente de noite. Algumas vezes aconteceu de crianças chorarem no restaurante por causa do frio. Mesmo com muita roupa, às vezes não tem como não passar frio. Quando faz acima de zero graus Celsius aqui eu já fico feliz porque "está calor" e dá pra sair sem congelar hahaha. Por isso trabalhar dentro de restaurantes é uma boa opção apesar da correria. É um excelente treinamento, mas acredito que não seja trabalho para qualquer um já que exige muito do físico e do psicológico.

Minha chefe, por exemplo, é uma pessoal difícil de lidar, muitas pessoas saíram do meu trabalho, a rotatividade foi alta nessa temporada. Nessa minha primeira experiência de trabalho pesado eu aprendi várias coisas principalmente sobre os relacionamentos, sobre como uma equipe pode ser melhor se todo mundo estiver disposto a ajudar mesmo que não seja fazendo o seu trabalho especificamente e, principalmente, o quanto é importante sabermos conversar de forma respeitosa. Ninguém precisa levantar a voz para impor respeito e ordem. Eu não acredito que as coisas funcionem dessa forma, tanto é que muitas pessoas simplesmente foram embora do trabalho. Outro ponto super importante é assumir erros, pedir desculpas. Coisas tão simples que a gente não faz nem nos nossos outros relacionamentos por puro orgulho e que fazem a diferença. Ser honesto é muito importante, mas entendo o quanto é difícil quando já esperamos uma resposta ofensiva. Tive problemas com a minha chefe uma vez que ela nunca negociou dias de folga para que eu pudesse ter os mesmos que o Yudi ou para que eu pudesse viajar como ele fez e muitas vezes o que ocorreu foi que quando o movimento estava fraco ela simplesmente mandava a gente para a casa. Um dia eu pedi folga para viajar com o Yudi, ela não deu, sendo que aqui é super comum isso, o chefe do Yudi sempre negociou porque a gente ganha em horas, se não formos trabalhar não somos pagos, e nesse dia ela me mandou pra casa 11h sendo que eu entrei 9h, ou seja, o Yudi já tinha saido, perdi a carona. Além de outras coisas como tratamento dos funcionários, gritarias etc que pra mim não fazem sentido. Pessoas chorando por serem tratadas desse jeito. Comigo nunca aconteceu, porém não é legal trabalhar num ambiente de trabalho como esse. Por isso tentei ir trabalhar no restaurante do Yudi, mas ela fez de tudo para que eu não conseguisse, mudou o calendário para eu trabalhar nos dias que poderia ajudar no restaurante do Yudi e até chegou a dizer que não me mandaria para casa mais cedo caso o restaurante estivesse com pouco movimento, mandaria meu colega de louça. Gente, pensa o quanto isso é errado! Muito antiético falar uma coisa dessas, sendo que todo mundo quer fazer horas e todo mundo conseguiria fazer mais horas caso meu calendário fosse dividido em dois restaurantes. Outra coisa, não temos ski break e o restaurante funciona exatamente no horário que a montanha abre e fecha, ou seja, só restam os dias de folga para aproveitar esportes na montanha que para quem sabe como é morar sozinho precisamos resolver coisas no banco, mercado etc. Quando eu comuniquei que queria trocar de restaurante algumas coisas melhoraram como alguns ski breaks aconteceram e com menos frequência ela mandava gente para casa. Eu realmente encaro tudo como aprendizado apesar disso não evitar estresse, o que é algo que quero melhorar muito porque é a causa de muitas doenças. Além disso, percebi o quanto eu me cobro para fazer tudo perfeito, por ter tido uma criação muito rigorosa à respeito de tudo que faço, ou seja, de que preciso dar o meu melhor sempre e fazer o mais perfeito possível. Mas gente!! Num restaurante onde num dia é possível mais de 500 pessoas almoçarem é humanamente impossível fazer tudo perfeito. Até porque perfeição só existe na nossa cabeça. E essa minha cobrança por fazer tudo excelente também gera problemas de saúde. Ainda que todo mundo me elogie no trabalho dizendo que eu faço um ótimo trabalho, quem sofre as consequências sou eu, porque de fato ninguém está muito preocupado se o chão está super limpo ou se a pia não tem comida suja, todo mundo lida bem com isso. E eu por ser assim perfeccionista não aguentava ver a bagunça quando era meu colega que lavava a maior parte da louça. São coisas que só nos desgastam e até onde queremos chegar a troco de um elogio sobre o trabalho? Só o ego quer isso, porque ele ama esse tipo de coisa superficial. Agora em contrapartida do meu excelente trabalho minha chefe nem se quer trocar dias de folga ela quis. Sendo que meu colega de louça super queria trocar também para poder ir para a igreja. Ai entra também o por que de se estar fazendo um bom trabalho, se é para ego se deliciar com os elogios, se é para receber reconhecimento ou algum beneficio. Apesar de eu achar que não tem nada de errado em realmente ser no mínimo gente fina com quem realmente faz um trabalho descente. Não é uma questão de fazer esperando algo em troca, é questão de haver uma parceria, um diálogo para que todo mundo fique satisfeito. Isso minha chefe não fez, não foi parceira, não aceitou sugestões de mudanças e a pior coisa, ela nunca erra, somos sempre nós os culpados de alguma coisa se der errado. Um outro ponto é que ela não curte esportes outdoor, ela não esquia nem faz snowboard, logo pra ela tanto faz, ela não está nem aí se a gente curte. O Yudi, diferente de mim, teve uma experiência bem melhor no trabalho dele, teve dias de ski break e nunca voltou pra casa cedo, ou seja, sempre recebeu mais que eu. Além do chefe ser super parceiro e entender que ele também queria aproveitar o lugar e não só trabalhar. Uma das vantagens de trabalhar em restaurante na montanha é que necessariamente vocês esquia ou faz snowboard todos os dias e isso é bem legal apesar do frio hahahaha. Muitas pessoas vem trabalhar aqui principalmente por poder esquiar gratuitamente, a gente tem um passe que é caríssimo por temporada e até os americanos vem pra cá para poder experienciar esse lugar que é realmente acessível para poucos. Apesar de tudo, tive a sorte de ter colegas de trabalho bem legais e que espero manter contato. A maioria peruanos e alguns americanos.

Essa foi um pouco da nossa experiência aqui, um pouco da nossa rotina e dos problemas que enfrentamos. Isso acontece em qualquer lugar do mundo certamente, mas é bom vir preparado! O trabalho é pesado, mas vale a experiência, principalmente porque vamos aproveitar bastante com o dinheiro que ganhamos aqui. E como é bom encarar tudo como aprendizado e crescer a partir de qualquer situação, se conhecer mais e saber que alguns padrões pessoais precisam mudar.

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