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Viagem: Machu Picchu, Peru

21.07.2019

 

Durante nosso tempo no Peru, eu e o Yudi conhecemos Machu Picchu com os pais dele! Depois do curso que fizemos em Huaraz e dos dias em Hatun Machay, voltamos à Lima e partimos para Cusco, viagem de 1 dia de ônibus. Sempre passamos por Lima porque temos amigos que conhecemos nos Estados Unidos, foram essenciais nessa viagem, permitindo que deixássemos malas para viajarmos leve, nos abrigando e alimentando. Isso é uma coisa super legal que quem viaja de forma independente e barata conhece bem! Muitas pessoas nos ajudam durante a jornada e sem elas seria muito mais difícil viajar. Ficamos em Las Vegas, por exemplo, só gastando com comida, num lugar que é caro e seria difícil permanecer por 1 mês como fizemos. Esse tipo de evento vai na contra mão do que estamos acostumados a viver na cidade uma vez que aqui tudo é muito mais individual, não nos relacionamos com estranhos por medo da violência e em consequência disso nos sentimos muito mais sozinhos e não nos ajudamos. A vivência no ashram durante 3 meses também foi enriquecedora nesse sentido pois tive a oportunidade de viver em comunidade, onde todos contribuíam da sua forma para manter, cozinhar, limpar... Essas experiências só me mostraram o quanto somos fortes juntos, abriu meus olhos para entender que existem outras formas de se viver, que as pessoas podem contribuir dentro do que é possível para elas e a gente se soma justamente porque somos diferentes, estamos em estágios diferentes da jornada e somos almas únicas, além disso me encheu de uma sensação boa ao constatar o que é união, o que é ajudar o outro de forma desinteressada e estar disponível, doar tempo (algo tão precioso hoje em dia). Eu sinto que na cidade há fragmentação e segregação de todas as formas, desde a nossa desconexão total da natureza e consequente falta de entendimento de que somos parte desse todo chamado Universo, que existe algo que nos une e que toda e qualquer ação afeta esse todo, até nossa incapacidade de nos relacionar inteiramente com os outros, nos ajudar. Dessa forma, a vida custa caro na cidade tanto financeiramente quanto psicologicamente ou emocionalmente, tudo precisa ser comprado e nos sentimos sozinhos, impotentes e dependentes. Esses dias abri a janela do meu quarto, moro em São Paulo capital, e olhei para o céu pensando no quanto me sinto desconectada aqui, lembrando da energia incrível do ashram. Isso é sobre mim, apesar de eu acreditar de verdade que a paz e a felicidade moram em nós e que é possível ter isso em qualquer lugar, eu prefiro viver na natureza, olhar para um céu todo estrelado, ouvir o som da wild life que me cerca, captar a energia das montanhas e me conectar com a minha essência selvagem. Isso é como eu gosto de viver, pode não servir para você e tudo bem! Toda essa reflexão e muitas outras vieram à tona depois que comecei a viajar. Encontrei uma idosa escocesa em Hatun Machay (acho que contei no outro post) acampando com mais de 70 anos e ela me disse que viajar é uma forma de educação. Nunca me esqueci disso, porque ainda existem pessoas que pensam que quem só quer viajar é vagabundo, preguiçoso, não quer assumir responsabilidades ou foge do mundo. E pode até ser! Mas com certeza tudo que eu aprendi em viagens eu nunca aprendi dentro de uma sala de aula e esse conhecimento que ultrapassa os limites do conhecimento intelectual e acadêmico é extremamente profundo e só possível quando a gente sai da nossa bolha. Viajando temos a oportunidade de nos conhecer, abrir nossa mente para outras realidades, conviver com pessoas desconhecidas, conhecer outras culturas e tantas coisas mais! 

Fomos para Cusco, uma cidade histórica cheia de marcas do passado e além disso turistas! Muitos! Ficamos uns dias em Cusco, ficamos poucos dias e fomos para o Vale Sagrado. Nos hospedamos sempre pelo airbnb por sermos em 4. Ficamos em uma casa super legal em Yucay e encontramos locais de escalada em rocha no Vale Sagrado, o que foi incrível, até o pai do Yudi escalou uma via ferrata com a gente! Sempre buscamos locais para escalar em qualquer lugar que estamos, um dia não sabíamos o que iríamos fazer no dia seguinte e acabei encontrando setores perto de onde estávamos, só pegamos ônibus para chegar. Ficamos uns dias pelo Vale Sagrado e depois fomos para Ollantaytambo e de lá pegamos um ônibus até a hidrelétrica (local mais perto de águas calientes) e caminhamos 10km para chegar em águas calientes. A moça do airbnb de Yucay foi super legal e ficou com a maior parte das malas para irmos leve para Machu Picchu porque caminharíamos 10km carregando o peso. Isso também é um dos aprendizados nesses viagens, eu já tenho uma natureza desapegada de verdade, então para mim não é sofrimento nenhum, deixamos coisas pelo caminho para ficarmos cada vez mais leves, além de carregar peso desnecessário, realmente não precisamos de tantas coisas além de equipamento de escalada e camping e poucas roupas. A namorada do amigo do Yudi está usando todas as roupas que deixei em Las Vegas e isso para mim é irado! Se eu não uso, eu não preciso. Sou até meio chata com isso aqui em casa, porque tem coisas que as pessoas nem sabem que existem, não usam e não faz diferença nenhuma. Além da energia parada, muitas pessoas poderiam estar utilizando uma coisas que a gente só não dá ou vende por puro apego. Então nessas viagens aprendemos a viver com o mínimo e necessário, sem sofrimento. Outra coisa é que desenvolvemos um senso de responsabilidade grande uma vez que somos nós de forma independente que carregamos tudo que levamos, então temos que arcar com as consequências se quisermos carregar coisas inúteis. Essa percepção é interessante também porque na cidade a gente paga para tudo, paga para alguém limpar a casa, lavar roupa, passar roupa, um caminhão de lixo passa e recolhe o que produzimos... e dessa forma não somos responsáveis nem pela nossa própria existência. Pensamos que o lixo que produzimos simplesmente some ou as roupas aparecem limpas e passadas na gaveta por mágica. Sempre agradeço bastante por ter conhecido o Yudi, não que nós mulheres não possamos fazer as coisas sozinhas, mas eu sempre fui medrosa, e é muito bom poder dividir as responsabilidades durante a viagem. Até porque a comida, roupa, malas, tudo é nossa responsabilidade nas viagens! Nós amamos cozinhar, ir ao mercado, planejar as viagens juntos. Esses meses juntos foram muito importantes para nosso relacionamento.

Optamos por chegar à águas calientes de ônibus e depois andando porque o trem é muito caro! Mais de mil reais por pessoa, fora todos os gastos de hospedagem (o tipo de viagem dos pais do Yudi é diferente do nosso, e entendemos!), comida, transporte, acesso à Machu Picchu e claro a passagem de avião que os pais do Yudi pagaram para ir ao Peru. É algo que pode sair bem caro para meu padrão e do Yudi que geralmente só gastamos com comida e transporte se necessário. Enfim, dentro do possível tentamos economizar o máximo, mas a caminha de 10km até águas calientes na altitude pode ser dura. Para mim, sinceramente, foi revoltante constatar que um local tão importante e incrível como Machu Picchu é tão inacessível. Pessoas idosas, sedentárias ou com problemas de saúde ou pagam caro para chegar até lá ou sofrem na caminhada. Além disso, foi a primeira vez que tive contato com esse turismo de massa e extremamente comercial. São muito pontos negativos! Locais cheios, hospedagem e comida caros, falta de informação (nos falaram até que o único acesso era via trem, eu e o Yudi já estávamos pensando em abortar), tratamento diferente por sermos turistas... até para usar o banheiro tem que pagar! Fica uma pessoa na porta do banheiro cobrando pelo uso e pelo papel higiênico (isso até nas praias de Lima, no Peru é assim). E sabe o que acontece em Macchu Picchu? Não tem um banheiro depois que entramos para as ruínas e todo mundo faz num mesmo local no meio do mato, local onde deixam papel e tudo sujo. Eles pressupõe que os turistas vão só passear rápido e sair, porque é isso que acontece quando contratamos guias. Mas como eu e o Yudi nem gostamos de gastar dinheiro com essas coisas, se gastamos então gastamos bem! Ficamos várias horas la dentro de boa, até porque as escadas são grandes e infinitas, quem tem dificuldade ou é idoso vai devagar, não tem como ser rápido. Percebi também um fenômeno que não tinha presenciado antes, nesses locais de turismo bem comercial é tudo meio vago, tirar foto e sair. Até porque é tão cheio que formam-se filas. Enfim, cenário que nem eu nem o Yudi gostamos at all. Mas ainda assim é um local histórico, vale a pena conhecer, é impressionante ver o que os Incas construíram com os próprios olhos, mas não é um role que tenho vontade de repetir. Para acessar Machu Picchu pagamos uma taxa, eu como não sou boba apresentei minha carteirinha da Universidade e paguei meia tanto nesse acesso quanto num boleto que compramos para visitar outros locais históricos em Cusco e no Vale Sagrado. Fizemos essa viagem no nosso tempo, isso que é legal de não fechar pacotes ou contratar empresas, curtimos mais, demoramos mais nos passeios... Geralmente o passeio para Machu Picchu é feito em um dia saindo de Cusco de trem. Nós ficamos alguns dias entre Cusco e Vale Sagrado, depois fomos para águas calientes (cidade mais perto de Machu Picchu), aproveitamos um tempo lá, fomos nas piscinas termais e só depois para Machu Picchu. Para chegar à entrada de Machu Picchu eu, o Yudi e o pai dele fomos andando e a mãe dele foi de ônibus. A caminhada é basicamente uma escada gigante, muitos degraus. Mas fizemos em 50min, coisa que nos falaram que demorava 1h30. O pai do Yudi também foi rápido. Então dá pra fazer, mas é cansativo. Suamos bastante. Para quem gosta da máquina de subir escada das academias é um excelente treino! Foi um dia bem legal em Machu Picchu, choveu no final da tarde e voltamos molhados para o airbnb. Adiamos nossa previsão de voltar para Yucay no Vale Sagrado porque houve um paro agrícola, ou seja, uma paralisação em protestos à decisões do governo. Até o trem parou por um dia, então ficamos mais uma noite na cidade. Aliás, nem falei de águas calientes, é uma cidade super turística, cheia de restaurantes caros e hotéis chiques. Se não me enganos permanecemos lá por 4 dias, a estadia mais cara que pagamos (não sei quanto foi em Lima quando o Yudi voltou sozinho com os pais dele enquanto eu estava no curso de yoga). A cidade é charmosa, tem piscinas termais, mas fica tediosa com o tempo, principalmente porque não tem climb hahahaha. 

Conhecemos vários pontos turísticos com a família do Yudi, além de Macchu Picchu, conhecemos quase todos os locais do boleto turístico (16 pontos turísticos em Cusco e arredores), além das salineras de Maras e a montanha de colores (rainbow mountain). Alguns dias a gente ficava de boa no airbnb descansando, cozinhando, lavando roupa ou íamos escalar no Vale Sagrado. É bem cansativo fazer todos esses passeios e os pais do Yudi sentiram bastante a altitude. É muito mais alto que São Paulo! Eu e o Yudi só estávamos de boa porque ficamos duas semanas na altitude, mas em Hatun Machay eu também sofri. Tomamos muito chá de coca :) A viagem com os pais do Yudi foi legal, principalmente porque eu e ele já estávamos viajando há um tempo sozinhos, então tivemos a oportunidade de aprender a nos adaptar a outro tipo de viagem que talvez não seja nossa preferida, mas que não deixa de ser interessante. Muitas vezes eu venho aqui, escrevo posts sobre viagens, mas talvez esse modelo de viagem não sirva para você e tudo bem! Talvez você prefira pagar hotel, comer em restaurantes, não acampar, não andar por horas carregando malas... A minha intenção é mostrar que viagens baratas são possíveis e viáveis para quem estiver disposto e óbvio tiver condições físicas para isso. Foi uma experiência muito legal para a mãe do Yudi porque ela achava que não era capaz fisicamente de andar tanto e conseguiu!!! Às vezes a gente duvida muito da gente mesmo. Mas sejam responsáveis, conheçam seus limites e respeitem seus corpos. Eu e o Yudi não somos ricos, nunca fomos e viajamos muito! Sair do país era um sonho distante para mim até conhecê-lo, então quero que vocês também saibam que é possível. Desde que conheci o Yudi eu viajo muito mais do que antes e não consigo mais imaginar minha vida diferente. Estou sempre pensando em viajar e em conhecer locais novos! O mais legal sobre esse tempo com os pais do Yudi é o que aprendemos sobre respeitar o gosto, a preferência e as limitações dos outros. Falo muito para ele que às vezes ficamos só na nossa bolha Yudi-Gabi e achamos que o mundo inteiro deve funcionar assim. Tem gente que não gosta mesmo desse tipo de viagem que a gente faz e agora podemos entender que não é para qualquer um por n motivos. Só acho muito injusto limitar experiências como essas para um tipo de pessoa que é capaz de pagar. Por isso mesmo que sempre gosto de compartilhar com vocês nossas viagens, e mostrar todos os pontos positivos, por exemplo, as viagens serem mais longas do que o comum porque economizamos em tudo que podemos. Sabemos dos nossos privilégios e do quanto somos abençoados por termos essas oportunidades. Somos muito gratos por tudo isso! Gosto sempre de lembrar que a gente está exatamente onde deveria estar, vivemos exatamente o que precisamos viver! There is no rush! Take it easy! Relaxa, que a jornada é longa, e tudo vem no tempo certo! 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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